Exageros e Realidades sobre Inteligência Artificial e sua relação com a Inteligência Humana

December 6, 2018

 

 

Todos acompanham a explosão do assunto Inteligência Artificial (IA ou, em inglês, AI) nos últimos tempos, mas até onde estamos falando de realidade e, mais importante, qual a diferença entre inteligência artificial e inteligência humana?

Venho estudando esse assunto (de maneria pessoal e não acadêmica) a mais de 7 anos e, como tudo que é novo, as desvirtualizações sobre o tema tem me surpreendido. Então convido a todos a refletir sobre dois pontos de vista: onde estamos de verdade em termos de tecnologia e quais as diferenças entre IA e Humanos.

 

Onde estamos de verdade

Sobre essa questão, vou invocar um excelente texto que li na Computer Word, escrito por Oliver Schabenberger:

"Se você está preocupado com as máquinas dominando o mundo, pode dormir sossegado. Isso não vai acontecer com a tecnologia que temos em uso atualmente.

Nós vivemos tempos emocionantes. Nosso relacionamento com máquinas, objetos e coisas está mudando rapidamente.

Desde que a humanidade vivia em cavernas, nós temos transformado nossas vontades em ferramentas com nossas mãos e nossas vozes. Nossos mouses e teclados fazem exatamente o que os mandamos fazer e dispositivos como o Amazon Echo podem nos ajudar a realizar tarefas simples, como ligar as luzes, ou tarefas mais complexas, como responder perguntas com inteligência analítica.

Mas com a chegada da inteligência artificial (IA), a maré pode virar. Máquinas podem se transformar: de objetos passivos a participantes ativos que se misturam à nossa vida? As máquinas vão nos guiar ou nós vamos guia-las? Os aparelhos vão nos informar o que eles fizeram em nosso benefício ou vamos continuar dizendo a eles o que fazer? Podemos nos tornar meros peões em uma vida orquestrada por inteligência autônoma, conforme tudo se torna mais e mais inteligente? O quão perto estamos dessa realidade?

O estado da Inteligência Artificial hoje

Se você está preocupado com as máquinas dominando o mundo, pode dormir sossegado. Isso não vai acontecer com a tecnologia que temos em uso atualmente.

A nova moda é rotular como IA qualquer coisa que faça algo remotamente esperto ou inesperado, mas que, na realidade, não é IA. Minha calculadora é melhor em aritmética do que eu jamais serei – mas não é IA. Uma árvore de decisão não é IA. Uma cláusula extra em uma consulta SQL não é IA.

Mas há uma tendência em direção a IA movendo-se para a incorporação de mais e mais inteligência em máquinas, aparelhos, dispositivos, automóveis e software.

Nós temos visto avanços incríveis na produção de algoritmos que realizam com enorme precisão tarefas que humanos poderiam realizar. Até recentemente nós pensávamos que o jogo Go não poderia ser computadorizado e agora uma máquina ganha e supera nossos desempenhos. Ou na área de assistência médica, onde algoritmos podem detectar tipos de câncer em radiografias tão bem quanto radiologistas – algo excepcional.

Esses algoritmos tem habilidades super humanas porque eles fazem seus trabalhos de maneira confiável, com precisão, repetidamente e sem descanso. Ainda assim, nós estamos longe de criar máquinas que possam pensar como um ser humano.

Sistemas atuais de IA são treinados para desempenhar uma tarefa humana de maneira inteligente e computadorizada, mas são treinados para realizar uma tarefa – e apenas uma. O sistema que pode jogar Go não pode jogar paciência ou pôquer e não vai adquirir habilidades para fazê-lo. O software que dirige um veículo autônomo não pode operar as luzes da sua casa.

O Salto de Confiança

Mesmo que os algoritmos se tornem inteligentes, nós não temos que deixá-los controlar nossas vidas. Eles podem continuar sendo apenas um sistema de apoio para decisões. O salto de confiança derradeiro é deixar que algoritmos tomem decisões no seu lugar.

Mas imagine se algoritmos fossem autônomos. Eu acredito que se nós aceitarmos autonomia; então estaremos livres para aceitar a verdadeira IA. Se um algoritmo pode tomar decisões confiáveis e imparciais que podem acabar sendo as melhores opções a longo prazo, você se sentiria confortável em entregar as rédeas e deixá-lo tomar suas decisões sem a sua opinião?

Quão bem nós esperamos que máquinas desempenhem quando as deixamos livres? Quão rápido nós esperamos que elas aprendam o trabalho? E quando, ao longo do caminho, máquinas podem desenvolver moral?

Se essas questões te deixam desconfortável, você não está sozinho. Eu prefiro ser morto pela minha própria estupidez do que as morais codificadas de um engenheiro de software ou as morais assimiladas de um algoritmo em evolução.

A ilusão da inteligência é tudo com o que podemos lidar e é tudo com o que precisamos lidar por ora.

Nós queremos ser enganados pelas máquinas, de maneira astuta. O resto é exagero.

Preparando-se para o futuro

O tipo de IA de hoje é inteligente? Eu argumento que não.

Inteligência necessita de alguma forma de criatividade, inovação, intuição, sensibilidade e poder de resolução independente. Os sistemas que estamos construindo baseados em deep learning não podem ter essas características. Eu não quero colocar um prazo para quando a IA será inteligente. Nós achamos que estávamos perto algumas décadas atrás e que as máquinas estariam agindo e pensando como humanos a essa altura, mas elas não estão. A tecnologia que temos hoje ainda não pode resolver esse problema.

Tem que haver uma tecnologia de quebra de paradigma para nos levar a verdadeira IA. Eu não acho que encontramos a solução ainda – mas estamos procurando por ela.

Quer saber mais? Baixe o report da Harvard Business Review: A próxima era da Inteligência Analítica: Inteligência Artificial.

 

Fonte: http://computerworld.com.br/inteligencia-artificial-separando-realidade-do-exagero

 

Um reflexão entre IA e Humano

O ponto mais importante, ao menos pra mim, é a distinção entre a IA e o Humano no que tange a sua essência. Encontrei no texto de Augusto de Franco uma síntese sobre isso que, ao menos pra mim, resume bem meus pensamentos atuais e nos põe a pensar em outras questões além da ameaça ou quase mágica da IA.

"Muitas pessoas estão preocupadas com a Inteligência Artificial. Alguns imaginam que as máquinas, os programas, os algorítimos, vão acabar substituindo os humanos. Outros têm medo de que os seres cibernéticos, os robôs ou os andróides dominem os humanos.

É verdade que as máquinas poderão fazer muitas coisas que os humanos fazem hoje. Mas isso significa apenas que os humanos estão fazendo coisas que não são propriamente humanas (ou seja, coisas que só eles podem fazer). Quebrar e carregar pedras, levantar paredes, recolher lixo, fabricar peças, montar e dirigir veículos, projetar construções, resolver cálculos, aplicar técnicas cirúrgicas e uma infinidade de outros trabalhos e atividades podem ser feitos por máquinas. Sinal de que, quando fazemos isso, estamos, de certo modo, cumprindo funções de máquina.

Para realizar esses trabalhos, os humanos usaram ferramentas e máquinas não inteligentes. Mas o pior é que os humanos também usaram outros humanos transformando-os em máquinas. Ao fazerem isso, também se transformaram em máquinas. Quer dizer que essa história de que as máquinas controlarão os humanos é muito antiga.

De qualquer modo, para realizar trabalhos de máquina, usamos nossa inteligência. Essa inteligência que usamos será parecida com a inteligência artificial que as novas máquinas usarão. Mas, em geral, não usamos nossa inteligência tipicamente humana para fazer qualquer coisa que máquinas puderam ou poderão fazer.

Então o grande problema hoje, quando caminhamos para mundos em que a inteligência artificial terá uso generalizado, é saber como desenvolver nossa inteligência tipicamente humana.

Esta deveria ser a preocupação principal dos que se dedicam à chamada educação. Não a de querer competir com as máquinas inteligentes, nem ficar buscando formas de aprimorar a capacidade de resolver problemas, de aumentar a memória e de potencializar outras capacidades cognitivas que não são exclusivamente humanas e poderão ser exercidas por máquinas inteligentes e sim como ensejar que as pessoas que vão viver no futuro próximo da Inteligência Artificial aprendam a projetar mundos em que humanos possam se libertar das tarefas de máquinas e não se transformem - ou não transformem outros humanos - em máquinas."

 

Fonte: https://www.facebook.com/augustodefranco/posts/1757875240911333

 

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